sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Sentir-se em casa.

Às vezes a gente se identifica com as coisas. E ainda mais com lugares.
Eu tenho dentro de mim a vontade de conhecer lugares, pessoas, culturas. Como eu já disse, estou na profissão certa.. (Ufa!)

Pois aqui em Buenos Aires eu simplesmente me sinto em casa, à vontade com tudo: as construções, as ruas, a poluição (sim!?), as pessoas passando pelas ruas, os olhares, as vozes que escuto, a preservação dos espaços, a magnitude que as pessoas julgam ser argentino. ¡Todo eso me encanta!

Não tenho aquela sensação de insegurança tão comum na cidade de onde vim, e, principalmente, não quero voltar a tê-la.

Por mais que eu viaje, sempre procuro algo que seja meu "lar" onde quer que eu conheça. Sempre encontrei isso em Buenos Aires, por isso não me canso de planejar viagens pra cá. Recife e Rio também significam o mesmo pra mim.

Coisas novas, incríveis, preenchedoras.

E é tão bom quando as pessoas que estão por perto compartilham o que se sente: os sonhos, as visões, as caminhadas, o lado bom, leve e feliz da vida... E o melhor: as risadas, risadas, risadas!


Mas a vida não é só festa!Quando a gente tem que estudar, estuda mesmo...





E pra recuperar as forças...


A cada esquina uma surpresa, a cada passo uma certeza de que são tempestades aquelas que nos atropelam e de que o florescer da primavera é sempre mais bonito depois que elas se vão. Porque as flores fazem mais sentido em estarem presentes e não temos como acelerar sua chegada. Porque a paz que sinto dentro de mim só foi possível depois dos infernos que vivi. Ambos são importantes para mostrar meus dois lados, meu amor e minha mágoa, meu bom e meu ruim. Meu eu.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Buenos Aires acompañada é ainda melhor...

Se @s amig@s existem pra lembrar quem somos, ou se amamos neles aquilo que é nosso espelho, posso dizer que estou muito bem...Cada momento que podemos usufruir da companhia é de ouro, seja pelas risadas, pelas ideias mirabolantes, pelas acordos ou pelos distintos pontos de vista.


As duas melhores parceiras de viagens estão comigo nesse momento, e são a prova de que quando se está bem a energia flui a contento. Desde carona até a casa que estamos, o brinde inicial ou mesmo uma simples caminhada por uma noite estrelada viram momentos pra lá de "specials", parafraseando a Claudinha.



Janta vegetariana, vinho, música, risadas, vinho, fotos, bate papo sobre Krishna e Osho, vinho, caminhada pra comprar mais vinho, eu virando instrutora de tango na praça e mais vinho. Volta pra casa mais ou menos no clima de sermos anjos de uma asa só que precisam abraçar pra seguir andando...

Foi então que na recuperação de tanto vinho, nos fuimos hasta Malba - o Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires... Sim! É tudo o que dizem e muito mais. Oh! Porto Alegre! Você ainda tem tanto pra aprender nesse quesito...

Entrando lá, já sabia o que me esperava, e chegava a sentir borboletas na barriga sabendo o que eu ia ver.
Passeio rápido no térreo e direto no primeiro andar para ver o espaço destinado à pintora/es da Latinoamerica do século XX. E lá estava ela: Friducha!!! O auto retrato com macaco e papagaio!

Eu não precisava ir a mais nenhum lugar dentro do museu. Pintura impecável, bem vibrante, mexicana.
Não sei por quanto tempo eu parei na frente, e só conseguia sentir as batidas do meu coração. Era mais um sonho realizado! Me transportei ao México, quis conhecer a casa em que viveu, as estampas, as cores, sentir ela ainda mais perto. Foi como se tudo parasse. Tenho a impressão de que poderia morar ali em frente aquele quadro. Fiquei olhando pra ela, e ela pra mim... De resto, só consigo sentir.

Ademais, havia Diego Rivera (mais México!), Di Cavalcante, Bottero e sua família de gordinhos e Tarsila do Amaral, pro coração brasileiro se sentir em casa...
 Mas não parava por aí. Tivemos o grande prazer de conhecer a polêmica artista plástica: Marta Menujín...Incrível! A trajetória dela exposta em dois andares do museu. Das obras que ela mesma não havia destruído até fotos e reportagens com a repercussão de seus happenings... (Mais sobre: http://www.martaminujin.com/portal/). O Pantheon construído com os livros proibidos pela ditadura, o Carlos Gardel incendiado em Medellín, a Bienal em São Paulo...Foda!

E a casa de colchões?
Vem junto nessa brincadeira! Saia do sério, solte o freio!


Como ainda era cedo, dava tempo de dar essa banda na Recoleta! Sim!


Parques? Centros Culturais? Iglesias? Avenidas?
Opções, possibilidades, escolhas.


Quem sabe um abraço de urso?


Ou quem sabe um approach no mestre Piazzolla?
"Ei, conta pra ele o quanto a música dele significa pra ti...ou a homenagem que tu vai fazer pra ele dentro de alguns dias.."



Não! Não é só isso!
Vamos pular?????  Se não der certo, a gente ri do que aconteceu!

Pois é...
Se a felicidade é um estado de espírito, definitivamente somos responsáveis por ela. Seja escolhendo perto de quem estaremos ou o que faremos com nossos dias, se o estado meditativo também se alcança assim, acho que estou iluminada.

Obrigada, é só o que posso dizer. A existência, a nós, a elas, a mim.

E Krishna dançou pra nós...

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Instrucciones para no morir de amor en Buenos Aires...(ou vou certa, de estar no caminho desperta!)

1a Escute seu coração. Ele SEMPRE vai saber para onde você deve ir.

2a Lembre-se das suas escolhas. Se você optou por alguma coisa, é pq tinha seu coração nisso. Vide primeira instrução.


3a Escute muitas vezes todas as músicas que você ouviu quando se sentiu livre. Elas ajudam a lembrar de quem você é.

Música que lembra quem você é

4a Cerque-se de AMIG@S, não interessa a distância que estejam de você.
IMPORTANTE: essa é a única instrução que pode substituir todas as outras, mas friso que só se for em caso extremo.



5a Saia andando pelas ruas e olhando as pessoas. Preste atenção na forma como elas falam, como procuram se expressar e o que querem dizer. Você aprende muito com isso.
"Imaginan la vida sin música. Tip for the band. Colaboración para los músicos. Gracias."

6a Preste atenção no ritmo na cidade. No barulho dos ônibus, na forma como se oferece mercadorias, no que as pessoas compram. Veja quais são as necessidades que pensam ter.
Ay como el agua...
7a Lembre-se o que fez com que você viesse para Buenos Aires.

8a Permita-se alguns momentos de melancolia. Então, sinta-se feliz de novo.
El afronte

9a Banhos de banheira sempre ajudam! :)

10a Sinta-se bem por ser você. Não se culpe, não se machuque e aprenda que a vida deve fluir.


 Dica extra: A arquitetura e o design aqui são duas coisas que fazem a vida valer a pena. Enjoy it!

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

A sensação de não estar em terra estrangeira...


Haja disciplina para ficar em casa, escrever o projeto e cozinhar, sabendo que afuera de la puerta hay una ciudad entera que te espera...

Depois de um dia inteiro en el departamento, mantendo contato virtual com brasileir@s, com a música da terrinha na vitrola e com a escrita e as leituras em português, ainda me encontrei com dois brasileiros para continuar a jornada e tomar um mate, tchê! Gian (meu melhor anfitrião até agora) e Júlia, gaúchos que dominarão Bs As! – Ou pelo manterão vivas as tradições gaudérias na terra de Gardel...
'Desastiamento' da bandeira em plea 9 de julio - Ponto central da Capital Federal.


Depois uma cervejinha com empanada (amo!) na Sarmiento e um chop em um dos hostels mais bonitos que já entrei, sigo en el autobus diretamente para a Milonga en Cochabamba 444 (créditos à indicação do Lisandro e do Joãozinho...). Havia muitos casais e o lugar era bem turístico.
Me dio ganas de irme a lugar con aires más locais... Amanhã La Catedral del Tango promete!

Cochabamba 444
 
Mas quero viajar sobre a convivência consigo mesmo. É meu segundo dia inteiro em terra estrangeira, e é como se o apartamento já fosse há tempo minha morada. Como se os gatos do pátio fossem meus, como se a vizinhança já me conhecesse. É impressionante como sabemos nos agradar quando nossa proposta é fazer isso. Acredito que aprendi a escrever a palavra aconchego...

Minha morada...


Uma das coisas que mais me agrada em ver e sentir é a garra argentina. Falo em termos de política. Hay stencils em muitas paredes com poemas, desenhos, protestos... É um excelente uso do espaço urbano, daria mesmo um belo estudo...

 
E por falar em política, quero dizer o quanto me impressiona a solicitude mútua de los varones argentinos, bem como a violência com que agem contra as mulheres. Aqui é quase uma ofensa se proclamar brasileira. O que há de moderno aqui, também há de retrógrado, conservador no modo como as pessoas lidam com valores e relações de gênero. (Sim, sempre elas! Ainda mais em tempos de estudos e escrita do projeto...)
Confesso que depois do taxista e do machismo porteños me quedé un poco entristecida, como em qualquer lugar do mundo me quedaría. 

Por outro lado, continuo na companhia de pessoas incríveis. Todos os dias cruzo com um número incontável delas e conheço algumas tantas da mesma maneira. E aqui os habitantes tem a sorte - arcedito que saibam disso! - de terem nascido embalados por um dos ritmos mais sensuais e encantadores do mundo...

Estar em uma metrópole é fazer parte de um formigueiro, mas é também ter múltiplas possibilidades de se fazer o que quiser e de buscar sua própria verdade em meio a milhões de pessoas. É ser cidadã(o) de direitos, mas também anônim@, como um grão de areia, uma peça de uma engrenagem...Para mim é essa a beleza do mundo: a diversidade, a cultura local, o funcionamento de uma sociedade... talvez eu tenha mesmo escolhido a profissão certa...

 Desde a Capital Federal Argentina, pensando, escrevendo, lendo e sentindo em português, mando um abraço pros convivas... Câmbio e desligo!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Sozinha em Buenos Aires?

Aprendi, em menos de 1h que havia chegado, que essa não é uma possibilidade.

Aliás, foi por causa disso e das inúmeras sensações que tive desde que pisei em solo porteño que surgiu a ideia desse blog. Se meu sol está mesmo na Casa 9, conhecida por se referir às viagens, então significa que terei muito com o que rechear isso aqui. E não interesse em que cosmos elas sejam realizadas.

Depois de um mal-sucedido táxi adentro o apartamento alugado. Êta lugarzinho aconchegante, apesar daquele cheiro de velharia peculiar em aires porteños. O solícito dono, Emílio, faz o investimento valer a pena, e as aparências da rua escura são logo dissipadas na manhã que segue.

Ainda zonza, com o computador em punho, converso com amigos, aviso parentes e futuras companheiras de viagens e sigo o contato indicado por uma amiga: em 20 minutos estava eu tomando minha primeira cerveja em buenos e nuevos aires...

Pela manhã, o melhor desayuno possível, com uma xícara de submarino bem quentinha e uma belíssima empanada com carne de ternera. Ô lá em casa! Caminhando pelas ruas com um pleno sorriso no rosto, ouvindo as músicas favoritas e feliz por estar vivendo isso...


O mapa na bolsa era um mero acessório, e apenas confirmava que o senso de direção surge quando confiamos absolutamente em nós mesmas. Casa de Câmbio, informações, o Obelisco (ah! O Obelisco!), a Plaza de Mayo, as grandes avenidas...

 "Corrientes, 348, segundo piso acensor..no hay portero ni vecinos, adentro, coktail y amor..."
(Sim, esse post tem trilha sonora!)

Banho de banheira pra matar a vontade e relaxar, aula experimental de movimento, com 10 pessoas que nunca havia visto. Chão, pele, suor, cheiro, toque, carinho, energia. Foi incrível...está sendo.

Tem certas coisas que não tem explicação, e não adianta que ninguém nos conte. Basta sentir. Eu sinto, e estou grata por chegar aqui e saber que eu sou capaz de ser eu mesma, de cuidar de mim e de ser feliz. Sinto amor, sinto gratidão e sinto paz. Me sinto Madhu.